sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Planalto sabia de lobby desde fevereiro, diz jornal

Reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta-feira (17), afirma que o Palácio do Planalto já sabia, pelo menos desde o mês de fevereiro deste ano, que havia lobby dentro da Casa Civil, assim como a cobrança de vantagens para a intermediação de empréstimos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
De acordo com o jornal, o empresário Rubnei Quícoli, responsável por denunciar o tráfico de influência que fez cair a ministra Erenice Guerra, teria enviado um e-mail no dia 1º de fevereiro para quatro funcionários da assessoria da Casa Civil relatando a cobraça de propina, no valor de R$ 240 mil, feita pela empresa de Israel Guerra, filho da ex-ministra. Em uma das mensagens, Quícoli, que é consultor da empresa EDRB do Brasil Ltda, pedia que o e-mail chegasse a Erenice e a presidenciável Dilma Rousseff (PT), então ministra da Casa.
PORRA, OS CARAS SABIAM DESDE FEVEREIRO DE 2002 NA DATA DA POSSE DO LULA, CARALHO!

Adeildda confessa venda de dados sigilosos, diz telejornal


A funcionária do Serpro cedida a Receita Federal Adeildda dos Santos confessou, nesta quinta-feira (16), que ela e outros funcionários vendiam dados fiscais sigilosos de contribuintes, segundo informações veiculadas no Jornal Nacional. Ela teria dito, em depoimento de cinco horas de duração à Polícia Federal, que cada sigilo quebrado valia entre R$ 100 e R$ 200.
Adeildda foi indiciada pela Polícia Federal por corrupção passiva. De acordo com a funcionária, a motivação dela era somente financeira, não política.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Empresa acusa filho de Erenice de cobrar comissão para liberar crédito no BNDES

Uma empresa de Campinas confirma que um lobby opera dentro da Casa Civil da Presidência da República e acusa filho da ministra Erenice Guerra de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), informa reportagem de Rubens ValenteFernanda Odilla e Andreza Matais, publicada nesta quinta-feira pela Folha
Interessada em instalar uma central de energia solar no Nordeste, a EDRB do Brasil Ltda. diz que o projeto estava parado desde 2002 na burocracia federal até que, no ano passado, seus donos foram orientados por um servidor da Casa Civil a procurar a Capital Consultoria.
rata-se da firma aberta em nome de um dos filhos de Erenice, Saulo, e que foi usada por outro, Israel, para ajudar uma empresa do setor aéreo a fechar contrato com os Correios --primeiro negócio a lançar suspeitas de tráfico de influência no ministério, revelado pela revista "Veja".
A Casa Civil confirmou ontem que houve uma reunião com representantes da EDRB em novembro na sede da Presidência, mas negou que a hoje ministra Erenice Guerra tenha participado.
"A audiência foi pedida inicialmente com a secretária-executiva, mas, por incompatibilidade de agenda, foi conduzida pelo então assessor especial e atual chefe de gabinete da Casa Civil", informou a assessoria.
Veja o esquema do lobby aqui

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Em Operação Mãos Limpas, PF prende governador do Amapá


O governador do Amapá e candidato à reeleição, Pedro Paulo Dias (PP), foi preso nesta sexta-feira, durante a Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, suspeito de envolvimento com uma organização criminosa composta por por servidores públicos, agentes políticos e empresários, que desviava recursos públicos do Estado do Amapá e da União. O governador está preso em Macapá.
De acordo com a polícia, as investigações, que contaram com o auxílio da Receita Federal, Controladoria Geral da União e do Banco Central, começaram em agosto de 2009 e são presididas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A PF investigou indícios de um esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Estado do Amapá, provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).
A polícia constatou que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação não respeitavam as formalidades legais e beneficiavam empresas previamente selecionadas. Apenas uma empresa de segurança e vigilância privada manteve contrato emergencial por três anos com a Secretaria de Educação, com fatura mensal superior a R$ 2,5 milhões e com evidências de que parte do valor retornava, sob forma de propina, aos envolvidos.
Durante as investigações, a PF verificou ainda que o mesmo esquema era aplicado em outros órgãos públicos. Foram identificados desvios de recursos no Tribunal de Contas do Estado do Amapá, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura de Macapá, nas Secretarias de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de Administração Penitenciária.
Na operação, foram mobilizados 600 policiais federais para cumprir 18 mandados de prisão temporária, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça. Além do Estado do Amapá, os mandados estão sendo cumpridos no Pará, Paraíba e São Paulo. Participam da ação 60 servidores da Receita Federal e 30 da Controladoria Geral da União.
Os envolvidos são investigados pelas práticas de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outros crimes conexos.

Esse fica quanto na cadeia???

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ONG malaia abre berçário para anônimas abandonarem bebês


Uma organização de caridade malaia está abrindo uma "incubadora" para crianças abandonadas, para que as mães que não queiram os filhos possam deixar seus bebês de maneira anônima.
A creche da entidade Orphancare abriga apenas um bebê, ainda sem nome. Mas a organização espera resgatar cada vez mais crianças, num momento em que as autoridades do país tentam conter o alto número de bebês abandonados.
Quase 500 bebês abandonados foram encontrados na Malásia desde 2005. Alguns foram deixados em templos muçulmanos, em frente a portas de casas e até mesmo em latas de lixo. Muitos são encontrados mortos. Acredita-se que essas crianças são principalmente abandonadas por mães solteiras.
Ter um filho fora do casamento ainda é visto como algo profundamente vergonhoso no país de maioria muçulmana, onde a educação sexual ainda é baseada na pregação da abstinência.
Berço
Os escritórios da Orphancare estão localizados em um subúrbio tranquilo perto da capital, Kuala Lumpur. Perto da entrada principal há uma pequena porta que abre para um pequeno berço.
Uma vez que um bebê é colocado no berço, um alarme é soado e o ar condicionado começa a funcionar. Quando a porta fecha, o bebê fica preso com segurança do lado de dentro, e um funcionário retira a criança.
Desta forma, o bebê é mantido seguro, e a identidade da mãe se mantém em sigilo. Os críticos dizem que o programa vai tornar fácil demais para as mães abandonarem seus bebês, encorajando o sexo fora do casamento.
Mas Noraini Hashim, da Orphancare, diz que o anonimato é a única maneira de garantir que os pais usem a entidade em vez de jogar seus bebês no lixo. "Não queremos perseguir as mães ou o casal que traz o bebê", ela diz.
Ilegal
Na Malásia, é ilegal para os muçulmanos manter relações sexuais fora do casamento. O país tem um sistema duplo de Justiça, no qual a lei islâmica se aplica aos muçulmanos e a lei civil se aplica aos demais.
Mas o estigma de ter um filho fora do casamento é o que leva as mães solteiras a atos desesperados, afirma Noraini. Ela diz que a pressão é maior para garotas jovens quando seus namorados as deixam e elas se sentem incapazes de se apoiar na família ou em amigos.
"Nesse estado de depressão, suponho que a única solução para elas é abandonar o bebê", diz Noraini. O governo, preocupado com o número crescente de bebês abandonados, pediu à polícia que comece a investigar esses casos como tentativa de homicídio ou assassinato, crime sujeito à pena de morte.
Refúgio
Perto do centro de Kuala Lumpur, o refúgio Kewaja, para grávidas solteiras, é um dos únicos lugares aos quais essas mulheres podem recorrer, já que o aborto é proibido.
O refúgio é feito de uma série de casas térreas no fundo de uma estrada de terra, parcialmente coberta por bananeiras. Todas as mulheres usam véus e camisetas em tamanho grande para esconder suas barrigas.
Elas ficam no refúgio até que seus bebês nasçam. Três delas concordaram em contar suas histórias sob condição de anonimato. Uma delas, Su, é uma garota de 19 anos, que diz ter procurado o refúgio aos cinco meses de gravidez para não envergonhar a família em frente aos vizinhos.
Siti, de 18 anos, deu à luz uma menina no refúgio. Seu pai acha que ela está fora estudando. Ela não pode voltar para casa até que a mãe a autorize, e ela está esperando há mais de um mês.
Mila tem 28 anos e veio para o refúgio no último mês de gravidez. Diferentemente das outras duas, ela está noiva e tem um emprego estável, mas se sente incapaz de manter a criança porque ter sexo fora do casamento é proibido pelo Islã.
"Se o bebê soubesse que nasceu fora do casamento, ele carregaria essa vergonha pelo resto de sua vida", ela diz. As três mulheres dizem que sabiam sobre contraceptivos, mas que tinham vergonha de comprá-los.
Yahya Mohamed Yusof, que dirige o refúgio com sua mulher, diz que entidades como a sua ou a creche da Orphancare para bebês abandonados ajudam a salvar vidas, mas não resolvem o problema das gravidezes indesejadas.
Yahya diz ver um aumento nos casos todos os meses. "Quando começamos, há 14 anos, tínhamos menos de dez garotas no refúgio. Mas agora temos ao menos 70 mulheres grávidas sob nossos cuidados", diz.
Para manter suas gestações em segredo, a maioria das mulheres no refúgio Kewaja dará seus bebês para adoção. Na Malásia, mulheres solteiras ainda têm poucas alternativas.
FONTE: BBC Brasil

Exemplo de cidadania, pois é difícil num país desse alguém se solidarizar com alguém..

Bachabaze - Abuso pederasta afegão


Meninos são alvo de abuso sexual em dança tradicional afegã




As mulheres no Afeganistão são proibidas de dançar em público, mas garotos são obrigados a dançar vestidos de mulher, e muitas vezes sofrem abuso sexual.
Em uma festa de casamento em um vilarejo remoto no norte do país, após a meia-noite, não há sinais dos noivos, nem de mulheres, apenas homens. Alguns deles estão armados, alguns tomam drogas.
A atenção de quase todos está sobre um garoto de 15 anos, que dança para o grupo em um vestido longo e brilhante, com sua face coberta por um véu vermelho.
Ele usa seios postiços e sinos presos aos calcanhares. Um dos homens oferece a ele algumas notas de dólar americano, que ele pega com os dentes.
Esta é uma tradição antiga, chamada bachabaze, que significa literalmente "brincando com garotos". O mais perturbador é o que acontece após as festas. Com frequência, os meninos são levados a hotéis e sofrem abusos sexuais.
Os homens responsáveis pela prática são comumente ricos e poderosos. Alguns deles mantêm vários bachas (meninos) e os usam como um símbolo de status, como uma demonstração de sua riqueza.
Os meninos, alguns deles ainda pré-adolescentes, são normalmente órfãos de famílias muito pobres.
Fome
A reportagem da BBC passou vários meses tentando encontrar um garoto que se dispusesse a falar sobre sua experiência. Omid (nome fictício) tem 15 anos. Seu pai morreu trabalhando no campo, ao pisar sobre uma mina.
Como filho mais velho, ele é responsável por cuidar de sua mãe, que mendiga pelas ruas, e de dois irmãos mais jovens. "Comecei a dançar em festas de casamento quando eu tinha 10 anos, quando meu pai morreu", ele conta.
"Estávamos passando fome, então não tive escolha. Às vezes temos que dormir de estômago vazio. Quando eu danço em festas, ganho uns US$ 2 ou um pouco de arroz", diz.
Questionado sobre o que acontece quando as pessoas o levam aos hotéis, ele baixa a cabeça e faz uma longa pausa antes de responder. Omid diz que recebe cerca de US$ 2 pela noite, e que às vezes sofre abusos sexuais de vários homens.
Ele diz que não pode recorrer à polícia por ajuda. "Eles são homens poderosos e ricos. A polícia não pode fazer nada contra eles", diz. A mãe de Omir tem pouco mais de 30 anos, mas seu cabelo é branco e seu rosto enrugado. Ela parece ter pelo menos 50.
Ela conta que tem apenas um quilo de arroz e algumas cebolas para o jantar, e que não tem mais óleo para cozinhar.
Ela sabe que seu filho dança em festas, mas ela está mais preocupada sobre o que eles vão comer no dia seguinte. O fato de que seu filho está vulnerável aos abusos está longe de sua mente.
Governo ausente
Poucas foram as tentativas das autoridades locais de combater a tradição do bachabaze. Muhammad Ibrahim, chefe-adjunto da polícia na província de Jowzjan, nega que a prática continue.
"Não tivemos nenhum caso de bachabaze nos últimos quatro ou cinco anos. Isso não existe mais aqui", garante. "Se encontrarmos algum homem fazendo isso aqui, vamos puni-lo", afirma.
Mas de acordo com Abdulkhabir Uchqun, um deputado do norte do Afeganistão, a tradição não apenas se mantém, como também está em crescimento.
"Infelizmente isso está aumentando em quase todas as regiões do Afeganistão. Eu pedi a autoridades locais que atuassem para interromper essa prática, mas eles não fazem nada", diz.
"Nossas autoridades estão muito envergonhadas para admitir até mesmo que isso exista", afirma. O Islã também não tolera a prática, segundo o Grande Mulá do santuário de Ali em Mazar-e Sharif, o lugar mais sagrado do Afeganistão.
"O bachabaze não é aceitável no Islã. Realmente, é abuso infantil. Isso está acontecendo porque nosso sistema de Justiça não funciona", afirma.
"O país tem estado sem lei por muitos anos, e os órgãos responsáveis e as pessoas não conseguem proteger as crianças", diz.
Os garotos dançarinos são recrutados ainda bem jovens por homens que passeiam pelas ruas procurando garotos afeminados entre grupos pobres e vulneráveis. Eles normalmente oferecem dinheiro e comida a eles.
Direitos humanos
A Comissão Independente de Direitos Humanos, em Cabul, é uma das poucas organizações que tentou combater a prática do bachabaze.
O diretor da organização, Musa Mahmudi, diz que ela é comum em várias partes do Afeganistão, mas diz que nunca houve estudos para determinar quantas crianças sofrem abusos em todo o país.
Ele aponta para a rua em frente ao seu escritório para mostrar como é difícil proteger as crianças no país.
As ruas do Afeganistão estão cheias de crianças que trabalham. Elas engraxam sapatos, mendigam, juntam garrafas plásticas para vender. Elas se dispõem a fazer qualquer trabalho para ganhar algum dinheiro, diz Mahmudi.
Todos os afegãos com os quais a reportagem da BBC falou sabiam sobre o bachabaze. Muitos afirmavam que ele só existe em áreas remotas.
Mas a reportagem acompanhou uma festa noturna em uma área antiga de Cabul, a menos de 500 metros do palácio de governo.
Lá, Zabi (nome fictício), um homem de 40 anos, se disse orgulhoso de ter três garotos dançarinos. "Meu bacha mais novo tem 15 anos, e o mais velho tem 18. Não foi fácil encontrá-los. Mas se você fizer um esforço, pode encontrá-los", ele diz.
Zabi diz que tem um bom emprego e que dá dinheiro a eles. "Nós temos um círculo de amigos próximos que também têm bachas. Às vezes nos encontramos e colocamos roupas de mulher e sinos para dança nos nossos bachas e eles dançam para nós por duas ou três horas. Isso é tudo", afirma.
Ele diz que nunca dormiu com um dos garotos, mas admite que os abraça e beija. Mesmo ao ser questionado se isso também não é errado, ele diz: "Algumas pessoas gostam de briga de cachorros, outros de briga de galos. Todos têm seu hobby. O meu é bachabaze".
Quando a festa termina, às 2h da manhã, um adolescente ainda está dançando e oferecendo drogas aos homens à sua volta. Zabi não é especialmente rico ou poderoso, mas ainda assim tem três bachas. Há muitas pessoas que apoiam essa tradição em todo o Afeganistão, e muitas delas são influentes.
O governo afegão não é capaz - e muitos dizem que também não tem interesse - de combater o problema. O governo está enfrentanto um movimento de insurgentes, com a permanência de tropas estrangeiras no país. O sistema judicial é fraco e a pobreza é generalizada. Milhares de crianças estão nas ruas tentando ganhar dinheiro. O bachabaze não é prioridade.
FONTE: BBC Brasil

Nesses países sem lei, há que se dar glória quando homens bomba se explodem levando consigo multidões...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nos bastidores da mancha negra


"Nos últimos dois dias, a morte começou a dar sinal de vida aqui no golfo do México. O primeiro sintoma foram 35 cadáveres de tartarugas encontrados em praias em toda parte, em lugares tão distantes quanto o Texas. Autoridades não encontraram sinais de óleo nos animais, mas nada foi dito sobre os dispersantes que estão sendo lançados pela BP pra tornar o vazamento menos evidente.
Esta manhã, conforme a maré baixava, centenas de peixes mortos foram vistos nas praias de Dauphin Island, uma linda região turística na costa do Alabama. É só o começo. Toda aquela mancha negra nojenta está lá embaixo, matando a vida sub-aquática. E o que causa mais indignação é que o poço ainda despeja 800 mil litros de óleo por dia nas profundezas do oceano.
Acho que a maioria das pessoas ainda não se deu conta da dimensão da tragédia que está se desenvolvendo aqui. Uma boa parte dos jornalistas, sobretudo os fotógrafos, começam a ficar entediados diante da falta de imagens de praias ou pássaros cobertos de óleo. Estão literalmente esperando a morte chegar.  Isto porque o vazamento é profundo e a maior parte dos 20 milhões de litros de óleo ainda está lá embaixo, à espreita. Ele pode tanto aparecer e revelar todo o seu impacto destrutivo, ou ficar lá, arrasando a fauna submarina do Golfo e intoxicando a cadeia alimentar por décadas e décadas.
Se realmente vier à tona, talvez a maioria das pessoas finalmente comece a entender porque uma economia dependente de petróleo pode ser tão ruim à saúde do planeta. Além de provocar aquecimento global, gera efeitos colaterais absolutamente indesejados. Porém, se o óleo permanecer submerso, talvez não chegue realmente a indignar o planeta na proporção que o desastre requer. Espero estar equivocado.


Campanha contra exploração
Extrair petróleo em plataformas no meio do oceano é um risco desnecessário, já que a energia gerada por essa atividade pode ser facilmente substituída por fontes renováveis. É por isso que aqui, nos Estados Unidos, o Greenpeace começou uma campanha contra a extração de petróleo em alto mar, enquanto a Louisiana ainda se encontra em estado de choque.
O desastre no Golfo também serve de alerta para o Brasil, que pretende começar a bombear o óleo que está abaixo de uma imensa camada de sal, na bahia de Santos, algo nunca tentado antes. Agora imaginem uma imensa mancha de óleo se viajando pela nossa costa, destruindo todas as nossas praias: ilha do Mel, Maresias, Guarujá, Ubatuba, Parati, Angra. É isso que o povo daqui está sentindo agora. Vale a pena corrermos esse risco?
Crise comum
Na Califórnia, uma equipe de profissionais ligados à internet desenvolveu um banco de dados na web, disponibilizando informações sobre as consequências do acidente em tempo real. Qualquer um pode baixar os aplicativos que eles estão desenvolvendo para iphones e outros celulares e cooperar fazendo o upload de fotos, vídeos e textos relacionados ao acidente, contendo coordenadas geográficas de onde foram registrados.
A plataforma é gratuita, de código aberto e pode ser utilizada por todas as organizações que estão trabalhando aqui. Dessa forma, será possível acompanhar o progresso da mancha de óleo, suas consequências sobre o ambiente e as pessoas, coordenar ações com voluntários, etc... Serve alerta para que isso aqui nunca aconteça novamente.
À portas fechadas, nada se fala de tóxicos
Ontem o Greenpeace e outras organizações presentes na região tiveram uma reunião com Lisa Jackson, chefe da Agência de Proteção Ambiental (do inglês, Environmental Protection Agency - EPA). Na reunião, fechada para a imprensa, foram dicutidos aspectos como o uso de dispersantes pela BP, a falta de equipamentos de segurança para as pessoas que estão trabalhando para a empresa e a demora na disponibilização de informações por parte da agência de condições climáticas, o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). A EPA faz parte do esforço federal de resposta à emergência aqui no Golfo. Eles estão coletando amostras de águas da superfície e das profundezas do oceano para avaliar a extensão dos estragos.
Curiosamente, não estão medindo a poluição causada pelos dispersantes, lançados pela BP. Desde que cheguei aqui, tenho ouvido diversos relatos de gente que tem sentido o cheiro do veneno. É um problema sério, já que centenas de voluntários e trabalhadores estão sendo expostos aos produtos tóxicos diariamente, enquanto permanecem aqui.
site do governo americano está sempre atualizado com a mais recente informação oficial sobre o vazamento no Golfo e contém, por exemplo, informações sobre as análises conduzidas pela EPA".